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Tudo Sobre Como Gerar Tráfego Com Infográficos Incríveis


O encerramento das senhas ou a valorização da privacidade? A concretização das distopias do seriado 'Black Mirror' ou uma viagem até Tóquio em cinquenta minutos? Em seu décimo aniversário, a Serafina convocou escritores e cartunistas para fantasiar a nação e o mundo daqui a 10 anos. Imagino antes nas coisas que irão desaparecer do que nas que vão aparecer. Água mineral em garrafas de plástico.


Chaves e fechaduras. Senhas. Fios, tomadas, carregadores: acredito que a claridade solar possa oferecer conta. Pichações, bullying, assédio sexual haverão de eliminar, com câmeras dentro de salas de aula e em toda divisão. Cadeias vão aumentar, a menos que a punição por banimento eletrônico e tratamento químico se generalize. Numeração de roupas e sapatos.


Nunca funcionou perfeitamente, aliás. Com biometria e impressão em 3-D, tua roupa chega sem ajustes. Costureiras, motoristas de táxi, funcionários de caixa, balconistas: os empregos na especialidade de serviços conhecerão o mesmo declínio experimentado no universo industrial. Sobrarão os entregadores, não acredito que de bicicletas. Custoso idealizar o desaparecimento das forças armadas usuais em tão curto período. Entretanto a briga eletrônica (penso em hackers causando de apagões a acidentes nucleares) avançará. O triunfo desfecho da ciência a respeito da religião dependerá, mais e mais, da China.


Quando somos jovens, dez anos são muitos anos. Ainda me lembro: teria uns 20 e a ideia de ter trinta era, simultaneamente, remota e espantosa. No momento em que cheguei aos 30, os 40 agora eram menos remotos porém mais temíveis. Sobretudo pelo motivo de o tempo passava de forma acelerada e eu ainda me lembrava de ter chegado aos 20 na semana anterior. Hoje, com quarenta e mais uns trocos (41, pronto, quase 42), olho pros cinquenta (para os 51, pronto, quase 52) e entendo que lá estarei amanhã de manhã. Meio século de vida: não é possível.


A festa só começou. E depois, com o meu incurável narcisismo, vou desbobinando as enciclopédias masoquistas em contagem decrescente: Mozart morreu aos 35; Charlie Parker aos 34; Keats aos 26. E eu? Que fiz eu aos 50? Os amigos entram em cena: Saramago despontou para a literatura aos 60! Ainda tens dez anos! É isso que gosto nos meus amigos: o talento pra lorota piedosa. Eles é que merecem o Nobel. Lamento, Serafina: não imagino como será o mundo daqui a uma década. Entendo que o contexto será outro -carros sem motorista; um robô em cada casa; Viagra na pasta de dentes. Mas se o passado ensina alguma coisa é que nós, humanos, continuaremos a ser o mesmo caos patético de sempre.


Inseguros, invejosos, intimidados. Porém também capazes de amar, pensar e gerar. No momento em que imagino no mundo futuro, não é no universo que eu penso. É no meu mundo. Na minha tribo. Os meus amores, os meus amigos. E até os meus inimigos, sem os quais a existência perderia qualquer encanto. Se eu e eles estivermos por cá quando eu chegar aos cinquenta anos (ok, desisto: 52), garanto ao leitor que melhor é irreal.


O universo em 2028 será mais próspero, pacífico, verde, tolerante, abundante e envolvente. Passaremos bem mais noites frescas trocando figurinhas da Copa ou das Olimpíadas com estranhos pela via. Beberemos drinques com champagne como quem hoje toma cerveja em lata. O Brasil receberá bravos imigrantes que deixarão o país mais cosmopolita e curioso.


A África será a nova China e mais centenas de milhões de pessoas sairão da miséria. Contudo haverá um problema: os intelectuais. Com a produtividade superior, mais gente será capaz de se oferecer ao luxo de ir a vida problematizando. A bordo de hotéis com rodas (ônibus autônomos com suítes individuais e serviço de quarto), intelectuais e políticos farão romarias pelo Brasil disseminando ideias de injustiça e opressão.

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  • 09/10/2012 às 14:Quarenta e três
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Os defeitos que eles inventarem serão pauta de mídias sociais e websites de notícia. Viveremos em 2028 no mundo mais divertido e próspero até em vista disso, entretanto que pena: não teremos consciência disso. Em dez anos, olharemos pra trás e morreremos de humilhação do festival de selfies, das imagens dos pratos de comida, da aparência perfeita pela ioga, do exibicionismo sem fim, da ostentação sem limite que desfilamos nas redes sociais. Reclamamos que o Facebook entrega de bandeja nossos dados, porém diariamente servimos sem parcimônia, após uma mãozinha de verniz, claro, uma versão melhorada do que somos. A superexposição transformou pessoas sem talentos em celebridades.


Vivemos numa data em que somos o que postamos, não o que fazemos. Nossa individualidade virou objeto pra consumo externo, o que os especialistas chamam de "personal brands". Todavia a onda que nos empapuçou de Kardashians e Pugliesis já começa a ceder sinais de decadência. Por que passamos tal tempo vivendo experiências que não são nossas ou escancarando nossas vidas à espera de likes? A empresa de tendências Box1824 detectou um novo posicionamento entre adolescentes de 18 e vinte e quatro anos, o de deixar as redes sociais ou decretar uma vasto transformação em como elas funcionam.

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